“Mangar” não é um verbo inventado – Conheça a origem!
Mangar é mais um verbo desses que muita gente julga ser invenção brasileira. Conforme o nosso penúltimo artigo, assim como aperrear é um verbo antigo da língua portuguesa, mangar também faz parte do nosso vocabulário, e embora sobreviva no Nordeste do país, na maior parte dos países de língua portuguesa ele caiu em desuso.
Mangar tem alguma coisa a ver com manga? De forma alguma! Nada a ver com essa fruta maravilhosa, saborosa e tão cobiçada. Mangar tem a ver com “mango”, expressão antiquíssima usada por ciganos na Península Ibérica para se pedir, implorar dinheiro (esmolar). Mas por que hoje ela é usada como sinônimo de deboche? Quando alguém diz: “Fulano mangou de mim!”, quis dizer que alguém caçoou dele. Nada a ver com pedir dinheiro…
Então vamos lá! Mangar tem uma segunda acepção, também significa enganar, ludibriar, iludir… Isso porque os ciganos, frequentemente, arrancavam dinheiro das pessoas na base da enganação. Ou seja, ludibriavam a vítima para lhes quitar um bem. Então muita gente dizia: “Fui mangado!” – no sentido de que foi trapaceado. Resultado: a pessoa se sentia ridícula (como se diz no popular, se sentia uma idiota). Daí que, com o tempo, naquele movimento belo e inevitável, que faz com que as palavras se movimentem, adquiram um outro sentido, mangar também passou a significar zombar, caçoar, debochar.
Por sinal, Monteiro Lobato também fez uso do termo. Essa citação consta no Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa: “Este mambembe parece que está mangando conosco!”. Isso prova que mangar não é um termo desprezível, pelo contrário, é contemplado também em nossa literatura.
Então, quando visitar o Nordeste e ouvir o termo mangar, não faça como gente boba e preconceituosa, que acha o termo ridículo pelo simples fato de não ser do seu conhecimento ou usual na sua terra. O termo é regional, sim, mas não inventado; pelo contrário, tem uma rica história por trás. E respeito com a cultura alheia não é só algo civilizado, é respeitar-se a si mesmo, respeitar a sua própria cultura, numa palavra, é respeitar o ser humano em sua evolução histórico-cultural.
Curiosidade: mango também é uma forma coloquial brasileira para se referir a dinheiro: “cem mangos”.