O cafajeste levou um tapa ou uma tapa?
“Splish splash fez o tapa que eu levei dela dentro do cinema! Todo mundo olhou me condenando, só porque eu estava apanhando…”
A dúvida entre “um tapa” e “uma tapa” é recorrente entre falantes do português e costuma gerar estranhamento quando aparece em conversas do dia a dia. Embora, no uso corrente brasileiro, “tapa” seja majoritariamente empregado no masculino “dar um tapa”, o termo também admite o feminino, dependendo da tradição linguística e da região. Compreender essa variação implica observar aspectos históricos, lexicais e sociolinguísticos da língua.
Do ponto de vista etimológico, “tapa” é uma palavra de origem ibérica através do godo. Em algumas regiões de fala portuguesa, o feminino preserva-se com naturalidade, de modo que expressões como “dar uma tapa” não causam estranhamento. No entanto, na maioria dos casos e no português brasileiro, “o tapa” é a forma amplamente predominante. Esse predomínio não é resultado de regra gramatical, mas de preferência de uso consolidada ao longo do tempo.
Os dicionários Aurélio, Aulete, Houaiss e Michaelis registram “tapa” como substantivo masculino e feminino. Isso reforça uma evidência importante: a língua não opera apenas por normas rígidas, mas também por hábitos culturais e tradições regionais. Assim, o que é comum numa comunidade pode soar incomum em outra, ainda que ambas as formas sejam corretas.
Do ponto de vista estilístico, a escolha entre “um tapa” e “uma tapa” pode carregar nuances discursivas. O masculino tende a soar mais neutro e, por ser a forma corrente no Brasil, também mais natural em registros formais e informais. Já o feminino pode ser usado intencionalmente para marcar regionalidade, fidelidade a certas fontes literárias ou mesmo para conferir um tom diferenciado ao texto. Não se trata de certo ou errado, mas de adequação comunicativa.
Em síntese, tanto “um tapa” quanto “uma tapa” são formas válidas no português. O que muda é a frequência de uso e a expectativa do falante de cada região. Reconhecer essa coexistência ajuda a compreender melhor a riqueza e a flexibilidade da língua, que se constrói justamente na diversidade de seus falantes.